Tarifaço começa a valer com taxas para mais de 3,8 mil produtos do Brasil
João Carlos
- agosto 6, 2025
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O tarifaço imposto pelos Estados Unidos começa a valer no Brasil a partir de hoje e chega com o diálogo ainda travado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Segundo levantamento da Secretaria de Comércio Exterior, a sobretaxa de 50% incidirá sobre 35,9% das exportações brasileiras para os EUA. Considerando dados de 2024, isso corresponderia a US$ 14,5 bilhões. O impacto só não será maior porque os EUA baixaram lista de exceções com cerca de 700 itens, entre eles, celulose, suco de laranja, petróleo e minério de ferro. A Embraer, fabricante de aviões, é uma das empresas que conseguiu reduzir a alíquota da sobretaxa.
Estima-se que a imposição da tarifa pode reduzir o PIB brasileiro em R$ 25,8 bilhões no curto prazo e até R$ 110 bilhões no longo prazo. A perda de renda das famílias poderá alcançar R$ 2,74 bilhões em até dois anos, além da redução de 146 mil postos de trabalho formais e informais.
Segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), os setores industriais mais atingidos serão a siderurgia, a fabricação de produtos de madeira, de calçados e de máquinas e equipamentos mecânicos. Na agropecuária, destaca-se o impacto sobre a pecuária, especialmente a cadeia da carne bovina, que segue fora da lista de isenções tarifárias e representa parcela significativa da pauta exportadora nacional.
O Brasil não estará sozinho por muito tempo nessas tarifas. Nesta quinta, 7, sobem também as taxas sobre produtos de mais algumas dezenas de países que exportam para os EUA, caso de Japão, Coreia do Sul e a União Europeia. A diferença é que em nenhuma dessas nações a taxa será tão alta quanto no Brasil.
IMPACTOS SOBRE MINAS GERAIS
Minas Gerais, terceiro maior Estado exportador para os Estados Unidos, com US$ 4,6 bilhões em exportações em 2024, também será significativamente afetado. O Estado terá aproximadamente 37% de suas exportações isentas, com destaque para itens como ferro fundido, ferro-nióbio e aeronaves. No entanto, 63% da pauta mineira permanece sujeita à tarifa, atingindo produtos como café, carnes bovinas e tubos de aço.
No curto prazo, a economia mineira poderá ter uma perda de R$ 4,7 bilhões no PIB e redução de mais de 30 mil empregos em prazo de até 2 anos. Os efeitos recaem principalmente sobre os setores de siderurgia, pecuária, fabricação de produtos da madeira e calçados.





