Operação revela esquema de órgãos ambientais de Minas Gerais em prol de mineração ilegal
João Carlos
- setembro 18, 2025
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A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) prenderam três empresários e afastaram servidores estaduais do meio ambiente na manhã desta quarta-feira (17/09), em operação contra fraudes, facilitação de crimes ambientais em esquema bilionário que vinha sendo denunciado pela reportagem do Estado de Minas desde abril.
A Operação Rejeito ocorreu em Belo Horizonte e outras cidades de Minas Gerais. Foram expedidos 22 mandados para a prisão preventiva de 17 alvos, sendo até o momento 15 presos e dois foragidos. Os policiais também cumprem 79 mandados de busca e apreensão.
Entre os alvos estavam empresários e diretores, e foi determinado o bloqueio de R$ 1,5 bilhão em ativos, além da suspensão das atividades das pessoas jurídicas envolvidas, mas os valores de investimentos seguindo o esquema e ainda previstos chegariam a R$ 18 bilhões.
A operação visa desarticular o que a Polícia Federal classificou como uma “verdadeira organização criminosa”, que era estruturalmente organizada e com nítida divisão de tarefas. O grupo é suspeito de ter corrompido servidores públicos em órgãos estaduais e federais de fiscalização e controle.
Segundo a PF, o objetivo era obter autorizações e licenças ambientais de forma fraudulenta mediante o pagamento de vantagens indevidas a servidores públicos dos mais diversos órgãos ambientais, incluindo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Agência Nacional de Mineração e Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais.
Essas licenças fraudulentas eram utilizadas para a exploração irregular e em larga escala de minério de ferro. As atividades ocorriam em locais tombados e próximos a áreas de preservação, causando graves consequências ambientais. Há também o elevado risco de desastres sociais e humanos decorrentes dessas práticas.
A investigação, que teve início em 2020, identificou o que a PF descreveu como uma “robusta e complexa rede de empresas S/A”.
De acordo com o inquérito, essa estrutura com mais de 40 empresas, que tinha a holding Minerar S/A como principal, era destinada a “legitimar práticas delituosas, omitindo os verdadeiros responsáveis” e a dissimular a origem de bens por meio de “lavagem de capitais”.
O esquema envolvia o pagamento de propina a agentes públicos para garantir a continuidade dos empreendimentos ilegais, com mais de R$ 3 milhões em propinas.
O homem foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil, juntamente com os itens apreendidos, para as demais providências legais.





