Breno silva

A violência cega

  • outubro 30, 2025
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A violência cega

O que nos leva a ultrapassar o limite do respeito?
De onde vem a cegueira que faz um homem ferir o outro quando deveria no mínimo ser exemplo, e o professor que ofende e oprime quando deveria ensinar, e quanto ao aluno, quanto ao futuro? O que podemos esperar ou construir? Já parou pra pensar que vivemos em uma cultura de violência?
Recentemente, acompanhamos uma notícia de um professor que foi agredido por um pai, em sala de aula no Distrito Federal.
O fato chocou o país e dividiu opiniões: de um lado, o repúdio à agressão, e a compaixão ao professor e sua vulnerabilidade em frente à sala de aula;
de outro, após uma reviravolta no caso, o debate (quase condenatório) sobre a postura do educado, acusado de desrespeito e ideologização. Em meio às versões, o que permanece evidente é que a violência se tornou linguagem, a mais pobre das linguagens humanas. De um lado surge a possibilidade de justificar a agressividade contra um profissional no exercício de sua função, e do outro justifica-se a defesa de um pai em favor de sua filha.
A violência é sempre cega. E nunca deveria ser uma via de solução. O que nos difere dos demais animais, é nossa capacidade de racionalidade, e liberdade de escolha dentro das diversas situações.
A violência é cega, não apenas porque fere, mas porque nasce da falta de visão, de luz, de norte, de sentido.
Vivemos tempos em que se reage antes de compreender, em que autoridade se confunde com poder e respeito, com submissão.
Na sala de aula, nas ruas e nas redes, vemos o mesmo sintoma: a perda da clareza. Quando não sabemos o que nos cabe, quando professores, alunos, pais e instituições se perdem em seus papéis, a desordem cresce.
Sem regras claras, sem referência e sem direção, o espaço que deveria educar se torna palco de conflito.
Existe uma passagem no livro bíblico cristão que nos traz, até mesmo para aqueles que não crêem, um singelo ensinamento, que diz: “Não havendo revelação, o povo se corrompe.” (Provérbios 29:18)
Ou seja, sem revelação (ou sem clareza) tudo se escurece. E na escuridão, o vazio ocupa o centro. O vazio de sentido é terreno fértil para a raiva, porque como certa vez disse o famoso gato do filme Alice no País das maravilhas, “Quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve!”.
A violência cega não é só o golpe físico, mas a palavra que humilha, o olhar que despreza, a indiferença que fere silenciosamente.
Precisamos voltar a enxergar!
Ver o outro, ver o propósito, ver a nós mesmos com verdade. A paz não é ausência de conflito, é fruto da ordem justa e da clareza que orienta. E só quem encontra sentido, é capaz de construir paz.