Wilker Procópio

Medo de Avião

  • novembro 28, 2025
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Medo de Avião

As movimentações para as próximas eleições, que acontecem em outubro do ano que vem (2026, inclusive, já bate à porta) estão a todo vapor. Um desses movimentos foi a megaoperação denominada Operação Contenção, realizada em outubro nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. A ação, que deixou 122 mortos, entre eles, cinco policiais, três civis e dois militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope), reacendeu o debate sobre segurança pública no país, uma pauta na qual a esquerda sempre patinou desengonçadamente. E onde a direita nada de braçada. Claro que o governador do RJ, Claudio Castro (PL), está careca de saber disso e fez um movimento que trouxe bons resultados para seu campo ideológico.

Prova disso é que a aprovação de Lula, que começava a melhorar depois do tarifaço de Donald Trump e, posteriormente, após o encontro dos dois líderes na Ásia, baixou novamente após o impasse entre o Governo Federal e o do RJ sobre a condução da megaoperação. As falas do petista após o ocorrido também não ajudaram.

Com essa ação midiática que não colheu outros frutos para além dos mais de 100 mortos, Castro consegui dar uma sacudida no tabuleiro. A maior parte da população se diz a favor de ações como a Operação Contenção. A direita, portanto, deve bater nessa tecla. Além, é claro, da pauta de costumes que deve incluir aborto, liberação de drogas e todas as “aberrações esquerdopatas”.
Uma coisa que não pode deixar de ser dita é que o pleito presidencial não conta mais com o principal nome da chamada nova direita, ou extrema direita, Jair Messias Bolsonaro. Condenado a 27 anos e três meses de prisão, o ex-presidente já começou a cumprir pena, assim como os demais condenados do núcleo central da chamada Trama Golpista. Sem Bolsonaro, os governadores de direita tentam a todo custo abocanhar o capital político deixado por aquele que não teria o celular confiscado (mas teve) e nem seria preso (mas foi). Imbrochável também deve estar na mesma categoria.

Pois bem, nomes conservadores não faltam para ocupar o lugar deixado pelo maior fenômeno político desde a redemocratização. Isso porque Bolsonaro, mesmo sem partido, conseguiu eleger uma grande quantidade de deputados, senadores e até vereadores que se aproximaram (ou pegaram carona) na popularidade do homem que dedicou seu voto na sessão do impeachment de Dilma Roussef ao torturador Carlos Brilhante Ustra.

Se na direita sobram nomes, no campo da esquerda não há nenhum nome capaz de substituir Lula. Prova disso foi a derrota de Haddad em 2018. E mesmo com a aprovação caindo, é muito difícil bater o Lula em uma eleição. Eis que temos um detalhe: o próximo presidente poderá indicar três ministros para o STF, uma vez que devem ocorrer novas aposentadorias dos magistrados. O novo presidente poderia, portanto, mudar drasticamente a configuração da Suprema Corte. Não seria tentador? Se eu fosse o Lula, teria medo do avião cair antes das eleições.