Breno silva

E esse clima, hein?!

  • janeiro 30, 2026
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E esse clima, hein?!

“E esse clima, hein?! Será que chove? Tá quente, né?! Hoje esfriou mesmo, hein! Bem que podia chover pra refrescar! E essa chuva que não passa?! Eu prefiro frio do que calor. Bem que podia dar um solzinho!”

Essas foram e são algumas das principais expressões sobre as constantes variações da temperatura e do clima que ouvi neste mês de janeiro de 2026, nestes dias que se passaram.

Nos jornais, foram noticiados riscos de chuva e tempestade e, ao mesmo tempo, ondas de calor e altas temperaturas. É claro que cada um de nós não poderia deixar passar a oportunidade de expressar sua opinião sobre as mudanças do tempo. Dessas manifestações, eu parei um pouco para pensar e extrai algumas interpretações.

Primeiro, com alguma frequência cada um de nós não se mostra satisfeito com “o que é”. A situação do momento, a realidade, dificilmente tende a atender nossas expectativas pessoais de como deveria ser. Nossos desejos e vontades querem sempre mais, querem sempre algo diferente, querem sempre “o que não é”. Penso que talvez isso explique, em parte, um pouco das razões da crescente onda de ansiedade que vivemos nestes tempos. Temos a tendência a querer sempre aquilo que falta.

Segundo: ainda não nos acostumamos com as mudanças, ainda que o ditado popular insista em dizer: “A única coisa que não muda é o fato de que as coisas mudam”. Ainda não nos acostumamos com isso ou, quem sabe, na verdade estamos inclinados a aceitar apenas as mudanças que convêm aos nossos interesses egoístas.

Janeiro, por sua vez, é o mês das mudanças, dos recomeços, da página em branco, do Janeiro Branco. O recomeço de um calendário que é nosso ciclo de mudanças, que vem nos ensinar que após o fim sempre (sempre) há um recomeço, que o fim não é a morte e que a morte não é o fim. Que viver é crescer, crescer é um convite à mudança, e a mudança é um convite para a transformação e o recomeço.

Dar-se uma nova chance de aprender com o que está, com “o que é”, desapegar-se do desejo fanático pelo “o que não é”. Permitir-se fluir e transformar com aquilo que está à nossa frente e, em cada situação, acessar a essência daquilo que nos faz humanos: a nossa capacidade de escolher como se comportar da melhor forma e com responsabilidade frente às constantes (e contínuas) mudanças que se apresentam a cada segundo em nossa rotina.

Neste 2026, desejo para mim e para todos nós que possamos parar mais para pensar e aprender a lidar melhor com as mudanças que nos atravessam. Que nem todo dia de sol nos iluda, nem toda chuva nos desanime a ponto de perdermos o essencial. Que possamos compreender que o clima muda fora e dentro de nós e que maturidade talvez seja exatamente isso: ajustar as roupas, o ritmo e as escolhas conforme o clima. Feliz ano novo. Que venha em paz! Faça chuva ou faça sol.