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Educação pública, valores e escolhas em debate nas escolas

  • fevereiro 27, 2026
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Educação pública, valores e escolhas em debate nas escolas

Com a divulgação dos resultados do Sisu e do Prouni, o Brasil revive um debate recorrente. Enquanto milhares de jovens comemoram o acesso à universidade pública ou a uma bolsa no ensino superior, surgem declarações de famílias que afirmam preferir instituições privadas, mesmo diante da aprovação em universidades públicas reconhecidas. O argumento costuma ser o mesmo: preservar valores familiares e evitar ambientes considerados inadequados do ponto de vista moral.
Embora apresentada como escolha individual, essa narrativa produz efeitos coletivos. Ao associar a educação pública — especialmente a universitária — a riscos morais ou ideológicos, enfraquece-se simbolicamente um projeto de formação que começa muito antes, na educação básica, sobretudo na escola pública.
A ideia de que a formação ética é responsabilidade exclusiva da família desconsidera a realidade brasileira. Em um país desigual, nem todas as famílias possuem as mesmas condições para assumir sozinhas essa tarefa. Educar nunca foi ato isolado. Como defendia Paulo Freire, a educação é um processo social, construído na convivência e no diálogo. Em outras palavras, educar é tarefa de uma tribo: família, escola e comunidade.
Quando universidades públicas são questionadas sob pretexto moral, o reflexo atinge diretamente a educação básica. A escola pública passa a ser vista apenas como espaço de instrução mínima, e não como lugar legítimo de formação cidadã. Isso aprofunda desigualdades e reforça a falsa ideia de que qualidade e valores pertencem ao ensino privado.
Em Nova Serrana, essa discussão é concreta. A escola pública é, para muitas crianças e jovens, o principal espaço de acesso ao conhecimento e à construção de projetos de vida. É nela que se aprende a conviver com diferenças e compreender a realidade social. Fragilizar esse espaço é comprometer o futuro coletivo da cidade.
No ensino superior, universidades públicas e privadas cumprem papéis complementares e relevantes. As públicas mantêm forte compromisso com pesquisa, extensão e formação crítica conectada à realidade social. O setor privado amplia o acesso e exerce papel importante na formação profissional. O desafio comum é garantir que a educação, em qualquer modelo, não se restrinja à lógica do mercado, preservando sua função ética e social.
O debate que surge após o Sisu e o Prouni não é apenas sobre onde estudar, mas sobre qual educação queremos defender. Valorizar a educação pública — da escola básica à universidade — é apostar em menos desigualdade, mais diálogo e mais democracia. Em Nova Serrana, como em todo o Brasil, educar continua sendo um compromisso coletivo.

Geraldo Evangelista e Helena Evangelista
Professores da rede pública
Casa Casulo Consultoria Educacional