“Nós que aqui estamos, por vós que esperamos”
João Carlos
- março 27, 2026
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“Nós que aqui estamos, por vós que esperamos”. Trata-se do um nome de um documentário; muito legal por sinal! Essa frase que também é um título, chegou até mim como uma provocação. No contexto do filme, ela é um convite a reflexão sobre alguns aspectos do desenvolvimento humano. E, como educadora, carrego-a comigo, e volto a ela em alguns momentos, refletindo sobre o aspecto do trabalho educacional.
É um fato percebido por todos que a sociedade se renova, se reformula e se desenvolve de acordo com as modificações históricas e científicas de cada tempo. Entretanto, quando pensei neste fato ficou a seguinte questão: E o aspecto humano? Como se dão de verdade, todas essas transformações?
Gosto de trabalhar, por iniciativa própria, além dos componentes regulares do ensino fundamental, a Filosofia. Sempre que possível coloco no andamento das aulas, reflexões pontuais, algumas provocações, debates e principalmente o exercício da observação. Na semana passada, ao explicar às crianças sobre os tipos de alimentos, veio aquele momento ímpar de ensiná-los que batata não é uma raiz, é um tubérculo. Portanto, um caule. E no árduo trabalho de motivá-los a descobrirem a ciência por eles mesmos, com seus próprios olhos, convidei-os a pegar uma batata em casa e deixá-la brotar. Ver com seus próprios olhinhos, os galhos saindo de seu caule roliço e irregular. (Convido ao leitor que ainda não fez essa experiência, que também a faça).
No atual momento que vivenciamos na educação, qualquer iniciação ao empirismo, à pesquisa, à observação guiada, à reflexão, principalmente fora do âmbito da escola trata-se de um tiro no escuro. Uma mera tentativa. Sabemos que uma boa parte dos alunos tanto de escolas públicas quanto particulares, fazem em geral, menos que o básico em termos de atividades extracurriculares.
Fato é que, durante a tarde, já em casa recebi uma mensagem no WhatsApp. Quando olhei havia uma foto e o seguinte conteúdo: “Tia, coloquei a bata para brotar semana passada, e já começaram a surgir uns galhinhos. “Quem é professor sabe o frenesi que bate no coração um retorno desses.
Bem, quando penso nas mudanças, na expansão, no desenvolvimento da humanidade, penso na Escola: O que será que encontraremos no futuro? Haverá frutos dessa leva de crianças dentro das salas de aulas, mediando conhecimento? Trazendo outras perspectivas para o ensino? Serão eles pacientes ouvintes e atentos estimuladores da reflexão? Saberão valorizar o lado humano, espiritual e social dentro de uma sociedade, possivelmente totalmente permeada pela tecnologia e IA’s? O que, e quem teremos de capital humano no trabalho braçal e visceral da educação?
Quando li a mensagem da aluna, minutos após a euforia de saber que uma criança me ouve e pratica o que ensinei e pode por ela e através dela mesma “apreender “o conhecimento. Eu me calei por uns instantes e pensei: “É! Somos nós os docentes que aqui estamos. E é por vós, crianças que ouvem, experienciam e aprendem, que esperamos!





