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PF abre inquérito para investigar suposto tráfico de influência de Lulinha em negociações com o Ministério da Saúde

  • julho 31, 2026
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PF abre inquérito para investigar suposto tráfico de influência de Lulinha em negociações com o Ministério da Saúde

A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para investigar se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), praticou os crimes de tráfico de influência e corrupção ao supostamente favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negociações com o Ministério da Saúde.

A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a PF, o inquérito não apura a participação de Lulinha nas fraudes relacionadas a descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS, mas sim uma possível atuação para facilitar interesses comerciais do lobista na área de cannabis medicinal.

De acordo com as investigações, Camilo Antunes buscou, entre 2024 e 2025, firmar um contrato com o Ministério da Saúde para o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal. O contrato, porém, nunca foi celebrado.

A PF apura se Lulinha utilizou sua influência para viabilizar reuniões entre o empresário e integrantes da pasta. Também é investigada a atuação da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, contratada por Camilo Antunes para prospectar oportunidades de negócios para a empresa World Cannabis. A defesa de Roberta nega irregularidades e afirma que não houve repasse de recursos ao filho do presidente.

Camilo Antunes é apontado como um dos principais operadores do esquema investigado na Operação Sem Desconto, que apura desvios por meio de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Ele está preso desde setembro do ano passado.

As investigações revelaram ainda que, em janeiro de 2025, o lobista participou de uma reunião com o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger. Em nota, Berger afirmou que o encontro ocorreu dentro das atribuições do cargo e que não houve qualquer interferência externa. Segundo ele, a reunião não teve desdobramentos porque o ministério não demonstrou interesse na contratação dos produtos.

Em março deste ano, a defesa de Lulinha confirmou que ele viajou para Portugal com Camilo Antunes, em novembro de 2024, para visitar uma fábrica de medicamentos à base de cannabis medicinal. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que a viagem ocorreu a convite do empresário, sem resultar em parceria comercial ou contrato, e que todas as despesas foram custeadas por Camilo Antunes.

Embora o novo inquérito não trate das fraudes no INSS, Lulinha teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pela Polícia Federal em janeiro deste ano e, posteriormente, pela CPMI do INSS.

Em nota, a defesa sustenta que a Polícia Federal não encontrou indícios de envolvimento de Lulinha nas fraudes investigadas e, por isso, abriu uma nova apuração sobre outro tema. Os advogados afirmam que ele nunca participou do esquema do INSS, desconhecia as irregularidades, não recebeu recursos desviados, não mantém relação com os negócios de Roberta Luchsinger e jamais praticou tráfico de influência para beneficiar Camilo Antunes.