Mensagens indicam que Vorcaro consultou Moraes sobre deixar o país antes de ser preso
João Carlos
- setembro 2, 2026
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Mensagens recuperadas pela Polícia Federal (PF) e divulgadas nesta terça-feira (1º) indicam que Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, consultou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a possibilidade de deixar o Brasil dias antes de ser preso na Operação Compliance Zero.
Segundo as conversas, em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão, Vorcaro perguntou ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Na sequência, questionou sobre o juiz responsável pelo caso, o conhecimento do então presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e se seria possível fazer alguma coisa diante da operação.
Vorcaro acabou preso pela PF em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. As mensagens indicam que ele continuou buscando informações sobre a operação até a véspera da prisão. Em outro momento, perguntou a Moraes se havia “alguma chance disso acontecer amanhã de manhã” e, posteriormente, quis saber se o ministro havia conseguido “ter notícia ou bloquear”.
A PF também identificou outras conversas entre os dois nas semanas que antecederam a prisão. Em 30 de outubro de 2025, por exemplo, Vorcaro pediu que Moraes atuasse junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, diante da pressão sobre o Banco Master. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, solicitou manifestação da PGR antes de decidir sobre a inclusão de Moraes na investigação.
Encontros e relação com o escritório da esposa
As mensagens também mostram que Vorcaro e Moraes combinaram um encontro presencial poucos dias antes da prisão. A aproximação começou em 10 de novembro, quando o banqueiro perguntou se poderia encontrar o ministro em Brasília. Nos dias seguintes, os dois discutiram a possibilidade de se encontrar em São Paulo.
Em 14 de novembro, Vorcaro sugeriu um encontro para o dia seguinte, em sua casa. Depois de confirmar o compromisso, enviou uma mensagem de agradecimento a Moraes na qual afirmou que ele e sua família tinham uma “dívida de vida” com o ministro e seus familiares.
Outro ponto revelado pela investigação envolve o contrato milionário entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa 36 parcelas de aproximadamente R$ 3,65 milhões, totalizando cerca de R$ 131,2 milhões em serviços advocatícios.
Segundo os dados analisados pela PF, Moraes teria editado uma versão do contrato em janeiro de 2024. Os metadados do documento apontam que a alteração ocorreu em um perfil denominado “Ministro Alexandre de Moraes”, no Office 365.
Até o momento, Moraes e Vorcaro não se manifestaram sobre o conteúdo das mensagens divulgadas. A PGR foi acionada por André Mendonça para analisar o material, e a eventual participação do ministro na investigação ainda depende dos próximos passos do relator.





