A fogueira de São João, aquece inté o coração
João Carlos
- junho 27, 2025
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O mês de junho é marcado pelas bandeirinhas no céu, pelo doce da canjica, as roupas tradicionais da roça, o cheiro de milho cozido no ar e pelas tradicionais danças juninas nas escolas em cada canto da cidade. Já parou pra pensar em como a festa junina carrega uma sabedoria profunda sobre a vida?
Em meio a correria do nosso dia a dia, entre memes, boletos e telas, as festas juninas vem nos lembrar de uma forma sutil que para viver bem não é preciso muito. Na simplicidade das roupas remendadas, das maquiagens de dente podre, da quadrilha ensaiada com erro e riso, mora uma filosofia esquecida: a de encontrar alegria no essencial.
A festa junina não precisa de luxo para ser completa. Ela se sustenta no afeto, na presença, na partilha. E isso tem tudo a ver com a gratidão — aquela que não espera que tudo esteja perfeito para agradecer, mas reconhece o valor da simplicidade.
Gratidão ativa é atitude, não reação. É como quem, mesmo no pouco, decide colorir a vida com o que tem em mãos. Como dizia o psiquiatra Viktor Frankl, “tudo pode ser tirado de uma pessoa, exceto uma coisa: a liberdade de escolher sua atitude em qualquer circunstância”.
Talvez a festa junina, com sua alegria simples e resistente, seja um lembrete simbólico dessa escolha. Mesmo em tempos difíceis, as comunidades se reúnem, acendem a fogueira e dançam — não porque tudo vai bem, mas porque decidem viver com sentido. Isso é gratidão em forma de atitude.
A dança da quadrilha também ensina: ninguém dança sozinho, e errar o passo faz parte. O importante é seguir junto, com leveza e vontade. Isso é pensamento positivo de verdade — não o que nega os problemas, mas o que escolhe como enfrentá-los.
Neste mês de junho, deixo aqui um convite, talvez seja tempo de olhar para nossas tradicionais festas juninas com outros olhos. Não apenas como uma festa popular, mas como um espelho daquilo que realmente importa: o pão dividido, o riso compartilhado, o coração que, mesmo cansado, ainda sabe dançar.
No fim das contas, talvez seja isso que a festa junina nos ensina com mais ternura: a fogueira não serve só pra espantar o frio da noite — ela aquece também o coração da gente. Ela reúne, aproxima, acende memórias e desperta um calor que vem de dentro. É o calor da presença, do vínculo, da alegria simples.
Em tempos de distâncias e friezas emocionais, uma chama acesa no meio do povo lembra que ainda é possível se aquecer na companhia, no cuidado, no sentido de estar junto.
A fogueira de São João aquece “inté” o coração. E isso, talvez seja o que a gente mais precise: menos correria, mais calor humano.





