A volta do amor
João Carlos
- novembro 28, 2025
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Pela terceira vez venho escrever sobre episódios de violência que revelam o quanto estamos adoecidos. Em agosto, o ex-jogador que agrediu a ex-companheira. Em outubro, o professor atacado por um pai em Brasília. E agora, no nosso quintal, uma mãe agredindo uma servidora e, ainda mais doloroso, uma servidora agredindo um aluno atípico por longos minutos, enquanto outros apenas assistiam. Tempo suficiente para respirar, pensar e escolher, mas não se escolheu. Por quê?
Já parou pra pensar que a violência nunca começa no tapa, no grito ou na agressão. Ela começa muito antes, no vazio de sentido, na ausência de consciência, no instante em que alguém se esquece de quem é e de quem o outro é.
Dentro de nós existe um espaço sagrado entre o impulso e a ação. É ali que mora nossa humanidade. Não somos máquinas reagindo a comandos. Entre o estímulo e a resposta existe um espaço, e nesse espaço habita nossa liberdade, responsabilidade e essência.
Quando esse espaço não é habitado com presença, a pressa, o medo e a raiva assumem o controle. A violência, então, encontra terreno fértil. Mas quando esse espaço é preenchido pela consciência, o ciclo se rompe. Violência não é destino; é, quase sempre, uma escolha inconsciente. (fruto da falta de sentido).
E aqui surge um pensamento que talvez provoque alguns: fala-se muito sobre “a volta de Jesus”, como se fosse um fenômeno cósmico. Mas tenho pensado comigo que a verdadeira volta de Jesus talvez seja mais simples, talvez seja: a volta do amor. O amor na consciência, no olhar que reconhece o outro como alguém. O amor que desarma, cura e protege.
Nenhuma câmera, protocolo ou legislação substitui o que só o amor consciente pode produzir: a extinção da cultura da violência. Amor não é ingenuidade, é lucidez. É escolher não retribuir na mesma moeda, é não permitir que a escuridão do outro apague nossa luz.
Talvez Jesus volte cada vez que alguém escolhe humanidade em vez de humilhação, cuidado em vez de domínio, especialmente diante de uma criança atípica que precisa de proteção. Ele volta quando dizemos “não” ao ódio e “sim” à restauração da dignidade.
E a pergunta que fica é: temos permitido que o amor volte em nós? A violência está aí. Mas a consciência, a liberdade e a responsabilidade também. A cultura da violência não cai porque gritamos contra ela, mas porque escolhemos caminhar na direção do sentido, aquilo que Jesus chamaria simplesmente de amor.
Pare mais para pensar!





