Política

Após onda de intoxicações por metanol, Câmara reage com projeto que torna crime hediondo adulterar bebidas

  • outubro 3, 2025
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Após onda de intoxicações por metanol, Câmara reage com projeto que torna crime hediondo adulterar bebidas

Em meio ao avanço dos casos de intoxicação por metanol no Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (2), a urgência para o Projeto de Lei 2307/2007, que prevê a classificação como crime hediondo da falsificação de bebidas alcoólicas. A decisão ocorre justamente em um momento de crescente apreensão no país, após a confirmação de dezenas de episódios relacionados ao consumo de produtos adulterados com a substância altamente tóxica.

O anúncio da votação em regime de urgência foi feito ainda na noite de quarta-feira (1º) pelo presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). Com a medida, a proposta poderá ser levada diretamente ao plenário da Casa, sem a necessidade de análise prévia em comissão especial — o que encurta o caminho legislativo e acelera a possibilidade de deliberação.

Entretanto, o conteúdo do projeto, isto é, o mérito da proposta, ainda precisa passar por apreciação e votação no plenário. Somente após essa etapa o texto poderá seguir para o Senado Federal, onde também deverá ser analisado. Até o momento, não há data definida para essa discussão.

De acordo com dados oficiais divulgados pelo Ministério da Saúde, já foram registrados 43 casos de intoxicação por metanol em todo o território nacional.

Os episódios têm causado grande preocupação entre autoridades sanitárias e médicas, já que a substância, um líquido incolor, inflamável e altamente perigoso pode levar rapidamente a quadros graves de saúde e, em muitos casos, à morte.

No estado de São Paulo, as autoridades intensificaram a fiscalização e, até o momento, seis estabelecimentos, entre bares e distribuidoras, foram interditados pela Vigilância Sanitária por suspeita de comercialização de bebidas adulteradas. As investigações prosseguem, enquanto especialistas reforçam que não há segurança no consumo de bebidas de origem duvidosa.

Médicos toxicologistas e infectologistas têm reforçado os alertas à população: não consumir bebidas alcoólicas de procedência desconhecida é, neste momento, a principal forma de evitar riscos. A própria comunidade médica ressalta que nem mesmo garrafas lacradas oferecem garantia absoluta de segurança, enquanto as investigações sanitárias seguem em andamento.