CIDADE DO FUTURO

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Passado o carnaval agora é hora de começar de vez a discutir as ações tão necessárias para a cidade que queremos num futuro bem próximo. Nova Serrana vive um momento ímpar e tudo demonstra que as coisas serão diferentes daqui para frente. Pelos menos é o que conseguimos perceber nesses primeiros dias de gestão, seja por parte da prefeitura quanto da Câmara Municipal.

Há uma ambiência favorável decorrente da reforma administrativa aprovada no final do ano passado e que entrou em vigência neste ano e que tem mudado toda a estrutura administrativa da prefeitura.

Outro fator que recarrega as esperanças de dias promissores para a cidade é a discussão que está em curso concernente ao novo plano diretor, que deverá ser aprovado ainda neste ano e que irá redesenhar a cidade do futuro.

Vamos ter que repensar a distribuição das atividades (comércio, serviço, indústria e habitação) no espaço urbano. Imaginável continuar crescendo e se desenvolvendo com sustentabilidade nos moldes atuais.

O desenvolvimento social e a inclusão precisa considerar a educação, a saúde, a segurança alimentar, o lazer, a cultura e a habitação como aspectos fundamentais do desenvolvimento social. 

Precisamos de sistemas técnicos que dão suporte ao funcionamento da cidade, a partir da provisão dos serviços básicos de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, gestão de resíduos sólidos e de águas pluviais e provisão de energia. Os sistemas devem ser pautados pela sustentabilidade, tendo em vista eficiência, otimização e redução de impactos ambientais. 

Uma cidade com características peculiares como a nossa não conseguirá crescer acarretando tantos impactos negativos em seu processo de transformação.

Não tenho dúvida de que teremos que discutir a distribuição justa de recursos na execução de ações e buscar formas de promover o aumento de receitas e da capacidade produtiva local. Do contrário, correremos o risco de perder competividade no mercado que a cada dia se torna mais instável e dinâmico. A diversificação econômica precisa de projetos de médio e longo prazo. Por se tratar de cidade a margem de uma BR federal precisa de receber grandes empreendimentos que possam mudar consistentemente as diversas atividades de trabalho.

As questões ambientais precisam ser vistas como benefícios que as pessoas obtêm dos ecossistemas. Precisamos de regulação o clima, as enchentes, as doenças, os resíduos e a qualidade da água. Estes temas visam à proteção, conservação, regeneração e uso racional dos recursos, tendo em vista a preservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos.

Espero que consigamos avançar na questão da mobilidade urbana, como forma de buscar oferecer segurança nos deslocamentos e facilitar a circulação das pessoas, priorizando os pedestres – em especial as pessoas com deficiência e as pessoas com mobilidade reduzida, os ciclistas e o transporte coletivo e sustentável, os gargalos da cidade que sempre ficou de fora da nossa discussão. 

A gestão democrática prevista no plano diretor desde 2007 necessita se tornar uma interlocução permanente e descentralizada das questões urbanas junto à sociedade civil, bem como sua participação no controle e monitoramento das propostas implementadas.

Discutir o novo plano diretor nos permite rever nosso passado, refletir sobre o presente e construir o futuro da cidade que tanto almejamos.

A cidade que queremos depende do envolvimento de cada um de nós!

Grandes coisas estão por vir. Existe esperança da mudança como poucas vezes existiu.

Ezequiel Cilas é Advogado e Comentarista Político.