Política

Governo lança pacote para atender empresas prejudicadas pelo tarifaço de Trump

  • agosto 13, 2025
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Governo lança pacote para atender empresas prejudicadas pelo tarifaço de Trump

O presidente Lula (PT) enviou hoje ao Congresso o pacote para combater os efeitos das tarifas estabelecidas pelos Estados Unidos. Entre as medidas, estão R$ 30 bilhões em crédito para empresas.

A medida provisória foi assinada em evento no Palácio do Planalto. O pacote foi definido após sucessivas reuniões internas do governo e com o setor produtivo. O martelo foi batido em reunião com Lula na última segunda, e os detalhes, apresentados a lideranças do Congresso ontem.

Um receio de crise econômica fez com que os Poderes se alinhassem. Estiveram no evento os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), além de toda a cúpula do governo. Apelidado de “Plano Brasil Soberano”, o pacote foca nas “empresas mais afetadas” pelo tarifaço de Donald Trump. Além do crédito, a ser custeado por Banco do Brasil e BNDES, as medidas incluem compras governamentais de alimentos que não forem exportados e exigência de manutenção de empregos. O presidente fez um aceno aos colegas do Congresso. “A bola está com vocês. Quanto mais rápido vocês votarem, mais rápido os prejudicados serão beneficiados”, disse, olhando para Motta e Alcolumbre.

O texto foi publicado em edição extra do DOU (Diário Oficial da União) nesta tarde. MPs precisam ser aprovadas pelo Congresso em até 120 dias ou perdem a validade, mas parlamentares indicam que haverá prioridade. O pacote deve socorrer até 45% das empresas que vendem aos EUA. É que nem todos os setores foram afetados pelo tarifaço: 694 acabaram isentos, como celulose, aviões e suco de laranja. Mas outros ramos importantes, como carne e café, receberam taxa adicional de 40% sobre os já sujeitos a uma tarifa de 10%, elevando o total para 50%, que começou a valer no dia 6.

A MP é parte de uma estratégia tríplice do governo. Além do incentivo econômico, a gestão deverá seguir nas tratativas de negociação com os Estados Unidos para reduzir as tarifas e diminuir a lista de produtos taxados e na abertura de mercados para diversificação das exportações.

Uma das principais alternativas é a China. Principal parceiro comercial do Brasil, o país importou do Brasil US$ 136,3 bilhões em produtos em 2024, mas o desafio é a diversificação de produtos: 80% das importações do país são concentradas em três itens (soja, petróleo e minério de ferro).

Alban afirmou que a indústria vai seguir ajudando no diálogo pelo setor privado. “Temos que ter uma verdadeira cruzada nos acordos bilaterais. Se for com o Mercosul, ótimo. Se não, iremos em busca de outros”, afirmou o presidente da CNI, que disse “aplaudir as medidas paliativas”.