Política

Governo pede exclusão de alimentos e aviões de tarifaço, enquanto Eduardo Bolsonaro diz trabalhar para não haver diálogo

  • julho 29, 2025
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Governo pede exclusão de alimentos e aviões de tarifaço, enquanto Eduardo Bolsonaro diz trabalhar para não haver diálogo

A quatro dias da aplicação da sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos, o governo Lula (PT) trabalha ao menos para excluir alguns itens do tarifaço de Donald Trump.

Segundo integrantes do governo envolvidos com o tema, o vice-presidente e Geraldo Alckmin tem conversado com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, na tentativa de poupar, por exemplo, alimentos da lista de produtos a serem sobretaxados pelo governo Trump.

O Brasil é hoje, por exemplo, o maior produtor e exportador de suco de laranja do planeta, vendendo 95% de sua produção para o exterior. Desse volume, 42% tem os Estados Unidos como destino. O país também é o principal fornecedor de café ao mercado norte-americano. Entre janeiro e maio de 2025, os EUA compraram 2,87 milhões de sacas, o equivalente a 17,1% de todo o volume exportado pelo Brasil, conforme dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Além de buscar junto à gestão Trump o adiamento do anúncio, haveria ainda um pedido de exclusão das aeronaves fabricadas pela empresa Embraer, que tem o mercado norte-americano como principal comprador para a aviação regional. Um dos argumentos em favor da medida seria o de que a fabricante brasileira importa peças dos EUA.

Sem uma resposta concreta dos Estados Unidos, o governo brasileiro continua estudando cenários possíveis de reação e segura a divulgação do plano de contingência até que o tarifaço de Trump se concretize.

Enquanto isso, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou na segunda-feira (28) que vai atuar para atrapalhar as negociações que o grupo de oito senadores brasileiros vem realizando nos Estados Unidos e que não será aceito acordo sem que seja incluída a liberdade dos acusados pelas tentativas de golpe de Estado.

“Eu trabalho para que eles não encontrem diálogo. Vindo deste tipo de pessoas, só terá acordo meio termo”, afirmou o deputado em entrevista ao SBT News.

O grupo de oito senadores que foi para os Estados Unidos negociar com empresários e políticos americanos conta com petistas e bolsonaristas, inclusive ex-ministros do governo de Jair Bolsonaro (PL), como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e Marcos Pontes (PL-SP).

Eduardo Bolsonaro apontou que a única solução inclui o “problema institucional” que envolve o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e a anistia aos diversos acusados por tentativa de golpe de Estado, e que, caso não seja assim, o povo brasileiro sofrerá sanções.

“Eles, vindo com essa visão estritamente comercial da coisa, quando o Trump já deixou claro que o problema é institucional, dão esperanças de que existe um meio termo, existe um caminho onde não seja necessário o Alexandre de Moraes se mover. Eles prolongam o sacrifício dos brasileiros”, concluiu.

Eduardo Bolsonaro e o influencer Paulo Figueiredo, vêm se reunindo com parlamentares americanos para buscar aplicação de sanções contra Moraes e contra o Brasil. Os dois chegaram a celebrar e afirmar que as tarifas eram decorrentes da sua atuação. Figueiredo, inclusive, afirmou que eventuais problemas causados aos brasileiros são um “remédio amargo” para que o governo e o poder Judiciário sejam punidos.