Política

Governo prepara evento amanhã (8) para anúncio de veto ao PL da dosimetria

  • janeiro 7, 2026
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Governo prepara evento amanhã (8) para anúncio de veto ao PL da dosimetria

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva organiza uma cerimônia para marcar os três anos dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Nos bastidores, aliados defendem que o presidente evite usar o ato institucional para oficializar o veto ao projeto de lei da dosimetria das penas, a fim de não gerar novo atrito com o Congresso Nacional.

A proposta, aprovada pelo Parlamento nos últimos dias de trabalho de 2025, reduz penas e beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos na tentativa de golpe. Lula já sinalizou que pretende barrar o texto e tem até o dia 12 deste mês para fazê-lo. A possibilidade de o veto ocorrer no próprio dia 8, porém, divide opiniões entre auxiliares e aliados.

Segundo interlocutores do Planalto, rejeitar o projeto durante a solenidade poderia tensionar a relação com o Legislativo, num momento em que o governo busca reduzir conflitos institucionais. Ainda assim, há quem avalie que o posicionamento de Lula já é esperado pelo Congresso e que o gesto ganharia maior peso simbólico se feito na data. A solenidade terá como eixo central a defesa da democracia e das instituições, três anos após a invasão das sedes dos Poderes em Brasília. O ato ganha ainda mais relevância com a conclusão, no STF, do julgamento da trama golpista que levou Bolsonaro e aliados à prisão.

Além do evento no Palácio do Planalto, está prevista uma atividade externa com a participação de movimentos sociais e representantes da sociedade civil. A expectativa é que Lula desça a rampa ao final da cerimônia para se juntar ao público.

Paralelamente, o PT convocou manifestações em todo o país no dia 8 em defesa da democracia e da soberania. Diante da recente crise internacional envolvendo a Venezuela, dirigentes do partido também defendem incorporar a pauta da soberania da América Latina aos atos. O líder do governo na Câmara, José Guimarães, afirma que a cerimônia ganha “duplo significado”, enquanto o ministro Guilherme Boulos reforça que o foco principal seguirá sendo a condenação do golpismo e a defesa da democracia brasileira.