Greve no meio ambiente em Minas: servidores denunciam sucateamento e realizam atos nesta quinta (11)
João Carlos
- setembro 11, 2025
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Os servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais iniciaram uma greve por tempo indeterminado no dia 1º de setembro. O movimento foi aprovado por maioria absoluta em assembleia que reuniu 371 participantes, o maior encontro virtual da categoria e contou com 99,62% dos votos válidos pela paralisação.
Nesta quinta-feira (11) haverá manifestações nas regionais, incluindo a região Centro-Oeste.
De acordo com o Sindsema, a categoria enviou ofícios, participou de reuniões e apresentou uma lista com 19 pleitos. No entanto, não houve resposta do Governo de Minas, que manteve silêncio mesmo após o prazo dado pelos trabalhadores. A postura foi considerada um sinal de descaso, levando à deflagração da greve.
O comunicado do sindicato denuncia que o Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) passa por um processo avançado de desmonte. Hoje, Minas Gerais conta com apenas 1.353 servidores concursados para fiscalizar atividades em 853 municípios, gerir unidades de conservação, licenciar empreendimentos e monitorar emergências ambientais. O número é insuficiente, principalmente após tragédias como Mariana, Brumadinho e Conceição do Pará, que expuseram a necessidade de uma fiscalização robusta.
O Sindsema lembra ainda que o último concurso foi realizado há 12 anos e que, desde 2016, quase mil servidores deixaram o quadro. Enquanto isso, cresce o número de terceirizados, sem que o governo trate os servidores ambientais como profissionais essenciais.
A categoria denuncia perdas salariais de mais de 80% e afirma que há servidores recebendo menos que um salário mínimo. Além disso, benefícios obrigatórios, como insalubridade e periculosidade, não são pagos. As diárias para viagens de fiscalização estão defasadas e os trabalhadores chegam a custear do próprio bolso deslocamentos e hospedagens. A frota de veículos também está sem seguro, expondo os servidores a riscos adicionais.
O sindicato aponta uma contradição: enquanto o governo Romeu Zema anuncia feitos ambientais e investe em “propaganda verde”, a realidade dentro do Sisema é de desmonte e precarização. Apesar da arrecadação de mais de R$ 1,2 bilhão ao ano em taxas e multas ambientais, menos de um terço retorna para a estrutura da secretaria. O restante vai para custeio de projetos sem relação com a recuperação ambiental.





