Indústria de Nova Serrana deve sofrer com tarifaço, alerta Sebrae
João Carlos
- agosto 1, 2025
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Não são apenas as grandes empresas que estão temerosas diante do tarifaço de Donald Trump, os pequenos empreendedores também estão em estado de alerta após o presidente dos Estados Unidos decretar as taxas de 50% sobre produtos brasileiros.
Marcelo de Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, alerta que o momento é de atenção e planejamento.
“Pode até ser que, em um primeiro momento, os pequenos não sejam tão afetados como os grandes. Mas, a médio e a longo prazo, todos devem ter seus negócios afetados.”, diz.
Um dos exemplos dados por Marcelo é a produção de calçados, principalmente em Nova Serrana, na região Centro-Oeste, um grande polo industrial do produto. Segundo ele, o tarifaço pode, inclusive, gerar desempregos a longo prazo. Ao não exportar para os EUA, o setor de calçados mineiro pode, inclusive, travar uma “batalha interna” contra produtores de outros estados – o que acarretaria perdas gerais.
De acordo com Patrícia Rajão, gerente do Sindicato das Indústrias de Calçados, Bolsas e Cintos de Minas Gerais (Sindicalçados-MG), empresas mineiras que não vendem seus produtos para os Estados Unidos temem que os concorrentes, principalmente do Rio Grande do Sul, outro grande polo calçadista, deixem de exportar, gerando uma reação em cadeia. Com parte do mercado externo inviabilizada, esses empreendimentos podem voltar a atenção para o mercado brasileiro, impactando os negócios mineiros.
“Em geral, as empresas mineiras de calçados não têm um perfil de exportação para os Estados Unidos. No entanto, muitos empresários estão preocupados com o fato de que o Sul do país, que exporta muito, se volte para o mercado interno. Com isso, a disputa ficará muito grande”, diz ela.
O governo federal já tem articulado medidas para proteger os pequenos negócios. Na terça-feira (29), foi sancionada a Lei Complementar nº 216/2025, que institui o Programa Acredita Exportação com o objetivo de incentivar as exportações brasileiras, especialmente de microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional.
A medida busca facilitar o acesso dos pequenos negócios aos mercados internacionais, com a devolução de valores que antes se acumulavam como créditos não recuperáveis, aumentando a competitividade dos exportadores de menor porte.





