Lula critica interferência nas eleições e pressão sobre o Pix em discurso na ONU
João Carlos
- setembro 22, 2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou para a abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), em Nova York, dois temas ligados diretamente à soberania brasileira: a defesa contra possíveis interferências estrangeiras nas eleições de outubro e a resistência a pressões externas sobre o Pix e outros setores estratégicos da economia.
Sem citar nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e rejeitou qualquer ingerência externa no processo eleitoral. O presidente também disse que os brasileiros decidirão nas urnas, em 4 de outubro, os próximos ocupantes da Presidência, dos governos estaduais e do Legislativo.
Segundo Lula, o sistema eleitoral brasileiro é “moderno e robusto” e a eleição será transparente e competitiva. Ele afirmou ainda que não permitirá ações que atentem contra a vontade popular.
Pix entra no discurso
Lula também criticou a pressão de empresas multinacionais sobre o Pix. O sistema foi incluído entre os temas questionados pelo governo americano em uma investigação comercial sobre o Brasil. Durante o discurso, o presidente afirmou que não pretende ceder às pressões pela privatização da ferramenta, que classificou como uma infraestrutura pública e gratuita de pagamentos.
A defesa da soberania também apareceu quando Lula tratou das riquezas naturais brasileiras. Ele afirmou que minerais críticos e terras raras devem ser explorados com geração de valor no país, transferência de tecnologia e atendimento a setores estratégicos.
O presidente ainda criticou a falta de regulamentação das grandes empresas de tecnologia e da inteligência artificial e defendeu regras para responsabilizar plataformas pelos efeitos de seus produtos. As apostas esportivas também foram citadas no discurso.
A fala ocorreu em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos e a menos de duas semanas do primeiro turno. Antes da viagem, Lula já havia manifestado a intenção de pedir a Trump que não interferisse na eleição brasileira. Apesar disso, não havia reunião bilateral formal marcada entre os dois presidentes.
Lula também defendeu cooperação internacional no combate ao crime organizado, mas rejeitou a necessidade de intervenção estrangeira em território brasileiro. O discurso ainda abordou conflitos internacionais, mudanças climáticas, multilateralismo e a disputa por recursos estratégicos.





