Misoginia será crime no Brasil — e isso muda tudo
João Carlos
- março 27, 2026
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O Senado aprovou por unanimidade, e agora segue para a Câmara dos Deputados, o projeto que altera a Lei do Racismo e inclui a misoginia entre os crimes de discriminação e preconceito. A pena prevista é de 1 a 3 anos de prisão, além de multa. Nos casos de injúria — quando há ofensa à honra e à dignidade — a punição é ainda mais severa: de 2 a 5 anos de prisão, também com multa. São crimes inafiançáveis e imprescritíveis — ou seja, não perdem a validade com o passar do tempo.
Mas você sabe, de fato, o que é misoginia?
Misoginia é o ódio, o desprezo ou a aversão às mulheres. E ela não está apenas em atos extremos — está, muitas vezes, disfarçada nas falas do dia a dia. Quem nunca ouviu frases como:
“Tá nervosa, deve ser TPM.”
“Lugar de mulher é na cozinha.”
“Se aconteceu, é porque ela deu motivo — olha a roupa que estava usando.”
Essas frases não são inofensivas. Elas sustentam uma cultura que humilha, silencia e violenta.
Eu, Lilian Camargos, já vivi inúmeras situações de misoginia. E é impossível não sentir esperança ao ver que, finalmente, esse tipo de violência começa a ser tratado com a seriedade que merece. Reflita comigo: mesmo sendo maioria na sociedade, nós, mulheres, ainda somos constantemente desrespeitadas — por homens e, muitas vezes, até por outras mulheres. Isso não pode continuar. E não vai.
O comportamento misógino está tão enraizado que foi naturalizado. Tornou-se parte do cotidiano. E quando olhamos para o cenário atual — especialmente nas redes sociais — os reflexos são alarmantes. O discurso de ódio cresce, a violência se intensifica e o resultado mais cruel disso tudo é o aumento do feminicídio.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil em 2024. Em 2025, esse número bateu um novo recorde.
Nós já temos a Lei do Feminicídio. Temos um número crescente de pedidos de medidas protetivas. Temos a imprensa denunciando diariamente a violência contra a mulher. Temos mulheres, de todas as profissões e classes sociais, levantando a voz. E, ainda assim, os números continuam piorando.
Isso revela uma verdade dura: não basta reconhecer o problema — é preciso enfrentá-lo com firmeza.
Agora, com a nova lei, surge uma esperança real: a de que a punição finalmente funcione como freio para esse tipo de violência. Que os ataques cessem. Que as mortes parem. Porque, para muitos, só a consequência concreta é capaz de mudar comportamentos.
Mas há algo que também chama atenção — e causa indignação: observar quais figuras públicas se posicionam contra essa lei. Isso escancara valores, revela caráter e levanta uma pergunta inevitável:
será que não têm mães, esposas, irmãs, filhas?
Ou será que são exatamente eles que se reconhecem nessa prática — e temem, agora, responder por ela?
A verdade é simples, direta e urgente: não há mais espaço para tolerar o intolerável.
Misoginia não é opinião.
Misoginia é violência.
E, finalmente, será tratada como crime.





