Partidos apostam na eleição ao Legislativo para garantir protagonismo em 2026
João Carlos
- janeiro 12, 2026
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A proximidade das eleições de 4 de outubro de 2026 tem levado partidos políticos de diferentes espectros ideológicos a reorganizarem suas estratégias eleitorais. A dez meses do pleito, cresce entre as legendas a decisão de priorizar a disputa por cadeiras no Legislativo, especialmente na Câmara dos Deputados e no Senado, como forma de assegurar protagonismo político, acesso a recursos e influência no próximo ciclo de governo.
Dirigentes partidários e especialistas avaliam que ter uma bancada robusta no Congresso é fundamental tanto para apoiar o próximo presidente da República quanto para exercer uma oposição mais forte. Em alguns casos, a estratégia também está ligada à sobrevivência de partidos menores, pressionados por regras como a cláusula de barreira.
O presidente do PSDB em Minas Gerais, o deputado federal Paulo Abi-Ackel, afirma que a legenda vai concentrar esforços nas candidaturas proporcionais. Segundo ele, o partido errou em 2022 ao priorizar disputas majoritárias e pretende agora ampliar sua representação no Congresso. A meta, de acordo com o dirigente, é dobrar o número de deputados federais eleitos pela sigla.
Estratégia semelhante vem sendo adotada por outras legendas. Em dezembro, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, declarou que as candidaturas a deputado federal serão prioridade em 2026. Embora o partido não descarte disputas no Executivo, o foco será aumentar sua relevância no Parlamento.
No MDB, o objetivo também é ampliar a bancada federal. O presidente estadual da legenda, o deputado Newton Cardoso Jr., afirmou que o partido pretende eleger até 60 deputados federais em 2026. Para isso, a sigla trabalha para atrair prefeitos e vereadores do interior e usar candidaturas majoritárias como forma de impulsionar as chapas proporcionais.
O PSD segue a mesma linha. O presidente estadual do partido, Cássio Soares, afirma que uma bancada forte garante mais poder de articulação e influência na discussão de grandes projetos nacionais.
Mesmo partidos que já sinalizam nomes para a disputa presidencial reforçam a centralidade do Congresso em suas estratégias. No PT, a prioridade foi formalizada em resolução do diretório nacional, que classifica a eleição proporcional de 2026 como estratégica, com atenção especial ao Senado, considerado decisivo para a governabilidade. A legenda trabalha para garantir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas reconhece que uma base sólida no Legislativo será fundamental.
No campo da direita, o PL também aposta no fortalecimento de suas bancadas, apesar de já deter uma das maiores representações no Congresso. O partido, que tem o senador Flávio Bolsonaro como um dos nomes cotados para a Presidência, vê o Parlamento como peça-chave de sua estratégia política. Declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro reforçam a visão de que o controle do Congresso pode ser mais decisivo do que o próprio Executivo.
Apesar do foco crescente no Legislativo, PT e PL indicam que a disputa presidencial seguirá como eixo central de suas campanhas. Para as legendas, eleger o presidente e garantir uma base parlamentar sólida são estratégias complementares para definir os rumos políticos do país a partir de 2027.





