STF inicia julgamento de Kids pretos acusados de envolvimento em tentativa de golpe de estado
João Carlos
- novembro 11, 2025
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O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, na manhã desta terça-feira (11), o julgamento de dez réus acusados de participação na tentativa de golpe de Estado. O grupo é composto por nove militares de alta patente e um agente da Polícia Federal, e ficou conhecido como os “kids pretos”.
Eles respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Fazem parte deste núcleo os seguintes réus:
Bernardo Romão Correa Netto (coronel)
Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira (general)
Fabrício Moreira de Bastos (coronel)
Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel)
Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel)
Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel)
Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel)
Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel)
Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel)
Wladimir Matos Soares (policial federal)
No caso de Ronald Júnior, a PGR pediu que a acusação seja desclassificada para o crime de incitação das Forças Armadas contra os poderes constitucionais. Com a medida, ele poderá ter direito a um acordo para se livrar da condenação. Os militares do núcleo 3 integram os “kids-pretos”, o grupamento de forças especiais do Exército. Os réus são acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de planejar “ações táticas” para efetivar o plano golpista.
O plano incluía o sequestro e morte do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), e do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Segundo a investigação da Polícia Federal (PF), a ação seria desencadeada em 15 de dezembro de 2022, duas semanas antes da posse de Lula e Alckmin. Como uma das provas, a PF apresentou cópia do Punhal Verde e Amarelo. Ele detalhava os recursos humanos e bélicos necessários para o desencadeamento das ações, com uso de técnicas operacionais militares avançadas, além da posterior instituição de um “Gabinete Institucional de Gestão de Crise”, a ser integrado pelos réus para gerenciar conflitos institucionais decorrentes das ações.
Os kids pretos assim são conhecidos por causa da cor das balaclavas que costumam usar em operações. São altamente treinados com técnicas de ações de sabotagem e incentivo à insurgência popular. Essas ações são descritas pelo Exército como “operações de guerra irregular”.
“Qualquer missão, em qualquer lugar, a qualquer hora, de qualquer maneira” é o lema dos kids pretos. Para ganhar tal status, precisam concluir curso de formação no Centro de Instrução de Operações Especiais, em Niterói (RJ), no Comando de Operações Especiais em Goiânia (GO), ou na 3ª Companhia de Forças Especiais, em Manaus (AM).
As forças especiais foram criadas em 1957. Atualmente, há cerca de 2.500 kids pretos. Em quatro anos do governo de Jair Bolsonaro, ao menos 26 kids pretos ocuparam cargos na gestão. O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, também faz parte do grupo.
Cid e Bolsonaro eram dois dos oito réus do “núcleo 1” da trama golpista. Todos foram condenados pela Primeira Turma do STF em julgamento finalizado em 11 de setembro.





