Política

Violação do sigilo de Vorcaro inflama oposição em ofensiva pela saída de Moraes do STF

  • março 9, 2026
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Violação do sigilo de Vorcaro inflama oposição em ofensiva pela saída de Moraes do STF

A violação do sigilo telefônico de Daniel Vorcaro expôs indícios da relação próxima entre o fundador do Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mensagens trocadas entre o banqueiro e a namorada Martha Graeff, interceptadas pela Polícia Federal (PF), indicam encontro entre eles com a suspeita de participação de outras autoridades — o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI).

Registros de conversas no WhatsApp entre Vorcaro e o ministro também revelam o elo entre eles, especialmente diante das mensagens que teriam trocado em 17 de novembro, horas antes de a Polícia Federal (PF) prender o banqueiro pela primeira vez.

O cenário inflamou a oposição contra Alexandre de Moraes, e políticos de direita cobram a saída do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Pré-candidato à presidência da República, o senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu a renúncia de Moraes e sugeriu a abertura de um procedimento de impeachment contra ele no Senado.

Também pré-candidato, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), marcou viagem para Brasília nesta segunda-feira (9/3) na intenção de cobrar o Senado pelo impeachment do ministro do Supremo. O Palácio Tiradentes não confirma o compromisso do mineiro na capital federal, mas fontes ligadas ao governador admitiram que ele irá ao Senado na segunda à tarde.

O centro da pressão contra Moraes é a Casa Alta porque, pela Constituição, apenas o Senado pode retirar um ministro do cargo — afinal, também cabe aos senadores confirmar as indicações para o STF feitas pelo presidente da República.

Nos próximos dias, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) planeja protocolar um pedido para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra Moraes e o também ministro Dias Toffoli. A intenção, segundo ele, é apurar as relações entre eles e Vorcaro.

A instalação da CPI e a abertura de um impeachment contra ministro da Corte dependem do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ele e Moraes têm boa relação, e a tendência é que esses movimentos não prosperem no Congresso.

A despeito disso, a oposição pretende organizar uma movimentação contra o ministro na Câmara e no Senado Federal. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) cobrou a prisão de Moraes, e o líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), é um dos mais ativos no movimento pelo impeachment de Alexandre de Moraes.

Ministro nega relação com Vorcaro

Desde sexta-feira (6/3), o ministro rejeita acusações sobre ter mantido relação próxima com o fundador do Banco Master. Nota do gabinete de Alexandre de Moraes informou, ainda na sexta, que as mensagens encontradas no celular de Vorcaro e atribuídas ao ministro não são dele.

Segundo o Supremo, “análise técnica realizada nos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos”.

O banqueiro teria trocado mensagens de WhatsApp com Moraes ao longo do dia em que foi preso, em 17 de novembro de 2025, de acordo com o blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal “O Globo”. O conteúdo não aparece diretamente na tela do aplicativo porque o link da mensagem leva ao bloco de notas do celular do empresário.

“Os prints dessas mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes”, diz nota divulgada pelo STF.

No entanto, o gabinete do ministro diz que os nomes e contatos das pessoas vinculadas aos respectivos arquivos não serão mencionados “em virtude do sigilo decretado pelo Ministro André Mendonça, mas constam no arquivo que a CPMI do INSS disponibilizou para toda a imprensa”.

Neste domingo, o gabinete disse que o ministro não frequentou a mansão do banqueiro Daniel Vorcaro em Trancoso, na Bahia. O gabinete dele desmentiu a coluna publicada por Lauro Jardim em “O Globo”.

“É integralmente falsa a afirmação publicada pelo blog de Lauro Jardim de que o ministro tenha frequentado a casa de Vorcaro em Trancoso”, diz a nota. “O ministro jamais realizou qualquer viagem particular com Daniel Vorcaro para qualquer destino”, prossegue.

“Reitera que nunca esteve na propriedade citada, sendo improcedentes as tentativas de vincular sua agenda pessoal ou profissional a tais encontros”, completou. Pela manhã, “O Globo” publicou que o ministro frequentava a mansão de Vorcaro em Brasília e também o imóvel de R$ 300 milhões na Bahia. A coluna assinada por Lauro Jardim não contém outros detalhes.