Política

Escândalo bancário se transforma em crise política e ameaça Presidência do Paraguai

  • novembro 6, 2026
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Escândalo bancário se transforma em crise política e ameaça Presidência do Paraguai

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta uma crise política após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank, instituição financeira que atende cerca de 3 milhões de clientes no país. Acusado pela oposição de omissão e conflito de interesses, o chefe de Estado é alvo de um processo de impeachment e solicitou nesta sexta-feira (6) mais 72 horas para preparar sua defesa.

O pedido foi apresentado depois que o Parlamento suspendeu a análise da renúncia de Peña, protocolada na quinta-feira (5). O presidente questionou o prazo inicialmente concedido para sua manifestação. Em publicação na rede social X, afirmou que recebeu a notificação às 22h15, acompanhada de aproximadamente 300 páginas de documentos, e criticou a exigência de apresentar uma resposta em menos de 12 horas.

O presidente do Senado, Basilio Núñez, confirmou à imprensa local que os parlamentares discutiam a concessão do prazo adicional.

Crise bancária desencadeou processo político

A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai determinou a intervenção no Ueno Bank após identificar irregularidades financeiras e problemas na cobertura dos riscos das operações. Entre as suspeitas estão empréstimos de grandes valores a empresas ligadas ao próprio grupo controlador da instituição, sem garantias suficientes.

A medida deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas e também atingiu recursos públicos depositados no banco. A instituição administrava mais de US$ 850 milhões, incluindo valores vinculados a fundos de aposentadoria.

O governo acionou o Fundo de Garantia de Depósitos para assegurar o ressarcimento dos correntistas. A cobertura pode chegar a aproximadamente US$ 36 mil por cliente, protegendo cerca de 97% dos depositantes.

A situação ganhou dimensão política devido à relação de Peña com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. O presidente foi sócio do conglomerado até março de 2025. A oposição questiona possíveis conflitos de interesses e acusa o governo de favorecer a instituição financeira.

Investigações e protestos

Os desdobramentos também atingiram a direção do Banco Central. Carlos Carvallo deixou a presidência da autoridade monetária após a intervenção. A Justiça paraguaia determinou ainda a prisão de oito executivos do Ueno Bank, no âmbito das investigações sobre as irregularidades financeiras.

A crise provocou manifestações populares por três noites consecutivas em Assunção, Ciudad del Este e outras localidades. Os protestos reuniram correntistas que reivindicam acesso aos depósitos e manifestantes que pedem a responsabilização das autoridades envolvidas.

O processo de impeachment contra Peña amplia a instabilidade política no Paraguai. A continuidade do procedimento e os próximos passos dependem da tramitação no Congresso e da análise da defesa apresentada pelo presidente.