Brasil ataca tarifas em reunião da OMC e recebe apoio de UE, Canadá e BRICS
O governo brasileiro usou a principal reunião da OMC (Organização Mundial do Comércio) nesta quarta-feira para criticar as tarifas impostas por Donald Trump e ganhou o apoio de cerca de 40 governos, incluindo Rússia, Índia, China, UE e Canadá. Já a diplomacia americana rebateu e indicou que seriam os demais países que não estariam cumprindo as regras internacionais do comércio e que as ações de Trump visam apenas “reverter a situação”.
Ainda que não tenha citado o nome do presidente dos EUA e nem o país uma só vez, o recado do Itamaraty era evidente: tarifas estão sendo usadas para interferir em assuntos internos de países. Trump vinculou as tarifas de 50% contra os bens brasileiros à situação legal do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas também usou o comércio para coagir a Colômbia, México, Canadá e Rússia, entre outros.
Diante do que acredita ser uma ameaça ao sistema internacional, o Brasil pediu a inclusão do tema na agenda do Conselho Geral da OMC, em Genebra. Não se trata da abertura de uma disputa comercial. Mas o uso da reunião da entidade para marcar uma posição política. No discurso nesta quarta-feira, o Itamaraty fez questão de apontar como a atitude vem sendo usada de forma indiscriminada como instrumento de poder contra diversos países.
O embaixador destacou que, “além das violações em massa das regras do comércio internacional – e ainda mais preocupante -, estamos testemunhando agora uma mudança extremamente perigosa em direção ao uso de tarifas como uma ferramenta na tentativa de interferir nos assuntos internos de terceiros países”, disse.
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