PF diz que Vorcaro teve acesso antecipado a detalhes de investigação contra o Banco Master
João Carlos
- setembro 11, 2026
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A Polícia Federal identificou, ainda em novembro de 2025, indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro teve acesso antecipado a informações sigilosas sobre a investigação que envolvia o Banco Master. Segundo a corporação, ele teria descoberto não apenas que era alvo de uma apuração, mas também detalhes sobre quem conduzia o caso.
As informações foram divulgadas após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de 15 procedimentos relacionados ao caso Master. A medida ocorreu na noite de quinta-feira (11), a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.
Em um pedido de prorrogação do inquérito apresentado em novembro do ano passado, a delegada responsável afirmou que havia “indícios veementes” de que Vorcaro sabia antecipadamente da investigação. Conforme o documento, o banqueiro teria conhecimento da vara responsável pelo processo, do nome do juiz e de integrantes da equipe policial.
Para a PF, o acesso a essas informações reforçava a suspeita de que Vorcaro pretendia deixar o país para evitar uma eventual prisão.
A corporação, porém, não esclareceu como o banqueiro teria conseguido os dados nem apontou quem poderia ter repassado as informações. O documento também não afirma que Vorcaro soubesse antecipadamente a data da operação.
Vorcaro foi preso em 18 de novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investigava possíveis fraudes em operações financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Disputa no STF
A divulgação do material ocorre em meio ao aumento da tensão entre ministros do STF em torno das investigações relacionadas ao Banco Master. Documentos tornados públicos também mostraram mensagens e registros de contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
André Mendonça encaminhou parte do material para análise do plenário, enquanto a Procuradoria-Geral da República questionou a legalidade de determinados procedimentos. Moraes, por sua vez, acusou Mendonça de irregularidades na condução das apurações.
A crise também atingiu a Polícia Federal. Mendonça havia determinado o afastamento de integrantes da cúpula da corporação, incluindo o diretor-geral Andrei Rodrigues, mas a decisão foi posteriormente revertida pelo ministro Flávio Dino.
Diante do conflito entre as decisões, Fachin suspendeu as determinações dos dois ministros e estabeleceu que procedimentos envolvendo integrantes do STF devem passar previamente pela Presidência da Corte.





