Simões envia promessas de campanha de Cleitinho à Assembleia após eleição
João Carlos
- outubro 22, 2026
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O governo de Mateus Simões (PSD) enviou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, após as eleições, duas propostas que correspondem a promessas de campanha do governador eleito Cleitinho (Republicanos): a redução do IPVA em até 75% a partir de 2027 e a revisão salarial anual automática dos servidores da Segurança Pública com base na inflação, sem necessidade de uma lei específica a cada ano. O envio das medidas é interpretado por deputados como uma provocação política ao futuro governador.
Cleitinho tem afirmado que pretende cumprir os compromissos assumidos durante a campanha, mas que precisa primeiro conhecer a situação financeira do estado para estruturar as propostas e apresentá-las com responsabilidade fiscal. As duas medidas têm impacto nas contas públicas de Minas Gerais, que enfrenta dificuldades financeiras. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 revisou a previsão de déficit de R$ 8,9 bilhões para R$ 10,5 bilhões. O rombo projetado para o próximo ano é duas vezes maior que a estimativa de déficit prevista no orçamento de 2026.
A equipe de transição de Cleitinho ainda não teve acesso a todas as informações solicitadas ao governo de Mateus Simões sobre o detalhamento fiscal do estado. As reuniões presenciais entre as equipes de transição começam oficialmente nesta sexta-feira (23) e seguem até 23 de novembro. Mateus Simões estará em missão internacional durante esse período. A condução dos trabalhos pelo Executivo ficará, inicialmente, a cargo de Tadeu Leite (MDB), presidente da Assembleia Legislativa.
Tadeu tem casamento marcado para 14 de novembro. Com sua ausência, a linha de sucessão para a condução da transição poderá chegar ao presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, desembargador Vicente de Oliveira Silva, que recebeu uma visita de cortesia de Cleitinho nesta quarta-feira (21). As duas propostas enviadas pelo governo estadual ainda não começaram a tramitar na Assembleia. A avaliação política entre deputados é de que o envio dos projetos no fim do atual governo representa uma provocação a Cleitinho, que assumirá a administração estadual diante de dificuldades fiscais atribuídas também a gestões anteriores.
Nesse cenário, a tendência é que a Assembleia não delibere sobre as medidas nesta legislatura, que termina em 1º de fevereiro, com a posse dos novos parlamentares. Como as propostas têm impacto fiscal previsto para 2027, a decisão sobre elas poderá ficar para o próximo período legislativo, já sob o novo governo.





