Tarifas da China e dos EUA sobre produtos brasileiros têm diferenças; entenda
João Carlos
- julho 24, 2026
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A entrada em vigor da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros reacendeu nas redes sociais comparações com a sobretaxa aplicada pela China às exportações de carne bovina do Brasil. Publicações questionam por que o governo brasileiro reagiu à medida americana, mas não adotou a mesma postura em relação à decisão chinesa. Apesar da semelhança, especialistas afirmam que os dois casos possuem diferenças importantes e não podem ser comparados da mesma forma.
A medida chinesa foi anunciada em 31 de dezembro de 2025 e passou a valer em janeiro deste ano. Ela estabelece uma sobretaxa de 55% apenas sobre as exportações de carne bovina que ultrapassarem uma cota anual definida para cada país fornecedor. A decisão tem validade de três anos, também alcança outros exportadores, como Argentina e Uruguai, e utiliza um mecanismo de salvaguarda comercial previsto nas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Já a tarifa dos Estados Unidos foi anunciada em 15 de julho e entrou em vigor em 22 de julho, incidindo sobre diversos produtos brasileiros. A medida foi adotada de forma unilateral, sem prazo para terminar, embora uma lista de exceções tenha deixado de fora produtos como carne bovina, café e laranja.
A principal diferença entre as duas decisões, segundo especialistas, está na base jurídica. A medida chinesa é um instrumento de salvaguarda comercial reconhecido pela OMC, utilizado quando um aumento das importações provoca prejuízos à indústria nacional. Além disso, ela é restrita ao setor da carne bovina e funciona por meio de cotas: apenas o volume exportado acima do limite estabelecido recebe a sobretaxa.
No caso dos Estados Unidos, a taxação foi baseada em uma legislação interna do país e tem alcance mais amplo, atingindo diferentes setores da economia brasileira. O governo americano justificou a decisão alegando práticas comerciais e políticas adotadas pelo Brasil que, segundo Washington, prejudicam os interesses dos EUA.
As diferenças também explicam a reação brasileira. Enquanto o governo continua negociando com a China alternativas para flexibilizar as cotas de exportação de carne bovina, em relação aos Estados Unidos anunciou que pretende acionar os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Comercial e discutir o caso no âmbito da OMC.





